quinta-feira, 15 de junho de 2017

  • Pablo Capistrano
  • 29 de maio de 2017, as 8h08
O Jovem Marx era conhecido como "O Mouro", pseudônimo com o qual assina seus artigos de jornal na impressa alemã na primeira metade do século XIX
O Jovem Marx era conhecido como “O Mouro”, pseudônimo com o qual assina seus artigos de jornal na impressa alemã na primeira metade do século XIX


Outro dia recebi em um desses grupos de Wats App um “textão” sobre Marx. Como a grande maioria das pérolas que circulam na rede, o texto trazia um conglomerado pouco articulado de razões pelas quais deveríamos nos manter distantes dos seus textos. O autor do livro “O Capital” além de um bebum contumaz seria um “vagabundo” que não trabalhava e era sustentado por Engels, seu amigo “esquerda caviar” que usava o dinheiro das empresas do pai para financiar suas aventuras de “revolucionário de I-Phone”. Marx também seria infiel a esposa, tendo torrado todo o dinheiro da herança de sua mulher com farras e amantes, levando seus filhos à morte pela miséria, à loucura e ao suicídio.
Completamente dominado pela falácia ad hominem (a rainha das falácias da internet, disputando cabeça com cabeça com a falácia de analogia pelo domínio completo do império da masturbação intelectual virtual), o tal “Textão” seria somente mais um espécime da gigantesca e rudimentar fauna de bobagens retóricas que somos submetidos sempre que nos aventuramos a passar mais do que alguns minutos zanzando pelas redes sociais, se não fosse o fato de constituir, a despeito de suas distorções biográficas e sua miséria argumentativa, parte de uma estratégia ideológica de grande eficácia no universo liberal.
Os alemães chamam de “Denken Verboten” aquela interdição de pensamento que a ideologia estabelece na medida em que cria uma fronteira retórica que impede o sujeito de avançar na sua reflexão sobre temas banidos do campo semântico, exilados do discurso público.
O curioso é que a interdição de pensamento que a ideologia liberal lançou sobre Marx atinge tanto a direita quanto a esquerda.
 Antes de ser um pensador de seu tempo, um cara que marcou profundamente o entendimento econômico e sociológico da modernidade, Marx é travestido pela direita com as roupas de um demônio asqueroso, um psicopata doente responsável por uma “ideologia assassina” que matou “900 zilhões” de pessoas. Do mesmo modo, ao invés de um filósofo forte como Kierkegaard, Schopenhauer ou Nietzsche, que projetou seu pensamento a partir de Hegel e para além dele, é tomado pela esquerda como uma espécie de Deus oculto, cujo nome é constantemente repetido como profissão de fé, mas de cuja face ninguém pode se aproximar muito sem correr o risco de virar estatua de sal.
Tanto a direita e a esquerda temem Marx.
A direita tem medo de lê-lo e ser tragada pela suposta influência perniciosa de seu pensamento, tal qual alguns cristãos que temem mais o diabo do que Deus e acabam com isso nutrindo uma espécie paixão recalcada pelo mal que, supostamente, buscam combater.
A esquerda teme imita-lo, e refazer o seu percurso fundamental, tal qual se pensava na idade média ser a tarefa de todo crente em sua imitatio dei. Talvez por isso a esquerda demonize o mercado sem conseguir compreender muito bem seu funcionamento, o que torna muitas vezes suas críticas inofensivas palavras de ordem, lançadas em um ambiente regulado por uma inócua domesticação política.
Agora, uma coisa que ninguém pode negar (ao menos ninguém suficientemente honesto intelectualmente para pôr entre parenteses sua própria grade ideológica) é que poucos sujeitos conseguiram articular uma compreensão filosófica do capitalismo como Marx.
Entre os anos de 1863 e 1867 ele chegou a trabalhar até 12 horas por dia na biblioteca do Museu Britânico, colhendo dados para sua obra fundamental: “O Capital”. Nas salas daquela biblioteca, Marx leu centenas e centenas de relatórios sobre a situação econômica e as condições de trabalho na Inglaterra. Estudou manuscritos e obras sobre economia; aprofundou-se em números e estatísticas das crises e dos movimentos de expansão e retração do capital pelas economias do planeta, mergulhou profundamente na compreensão do funcionamento da sociedade de mercado e trouxe à consciência da modernidade não apenas “a miserável imundice e infelicidade da vida industrial”, mas uma visão articulada sobre o modo como o capitalismo funciona, e que a hermenêutica econômica ortodoxa de seus ideólogos (como Adam Smith, por exemplo) não conseguiu atingir.
Ele conseguiu compreender que o lucro obtido com a exploração do trabalho não consegue se expandir infinitamente, gerando ciclos de crescimento e queda, que se repetiriam cada vez mais intensamente em intervalos cada vez menores. Conseguiu perceber a meticulosa e generalizada ação da ideologia como uma ferramenta de manutenção do status quo, e ofereceu à história, a partir de uma “desleitura” do hegelianismo, uma poderosa chave hermenêutica para a compreensão de fenômenos sociais.
Dentre tudo isso, uma das coisas mais significativas que “o Mouro”, (como era conhecido no tempo em que escrevia reportagens nos jornais alemães) trouxe para os novos movimentos revolucionários que despontaram após a revolução fracassada de 1830, além de uma poderosa articulação das tendências dispersas de Fourier, Saint Simon e Babeuf, foi justamente a compreensão do modus operandi do sistema que procurava combater.
É certo que a vida pessoal de Marx sempre foi um caos completo. Fugindo de país em país em função das perseguições que sofria pela sua ação política, viu 3 de seus filhos morrerem ainda na infância (o que não era nada incomum naquela época). Edgar Marx, por exemplo, morreu aos oito anos, nos braços do pai, numa sexta feira da paixão do ano de 1855. Os relatos da época dizem que Marx ficou tão desolado que durante o sepultamento acharam que ele iria desabar dentro da cova e ser enterrado com o filho.
Acossado por uma doença estranha, provavelmente hidrosadenite supurativa, passava longos dias praticamente inabilitado, sem conseguir dormir ou trabalhar. Em um contexto desfavorável como esse, de doença, perseguição política e dificuldades financeiras, o judeu alemão, nascido em Tréveris, na Renania, em 1818, abandonou a confortável vida pequeno burguesa de sua família, para transcorrer quase todo século XIX cumprindo a tarefa para a qual Hegel, seu pai filosófico, o preparou: a de mergulhar no movimento dialético da história e compreender os sentidos do futuro a partir do seu próprio presente.
É obvio, que não é possível anacronizar Marx. Ninguém consegue ir além do próprio tempo, e mesmo as revoluções que se seguiram a eclosão de seus escritos, só podem ser entendidas pelas constantes atualizações e interpretações heterodoxas que se produziram sobre o seu pensamento.
Eu, particularmente, sempre desconfio dos santos.
Tenho um eterno pé atrás com os puros, os autênticos, os que se vitimam por se venderem como mártires de sua própria coerência. Sinto uma desconfiança atávica dos anjos e dos demônios, porque aprendi, desde que li Watchman de Allan Moore lá pelos anos 80; que até os super-heróis dos quadrinhos tem suas canalhices.
Quando leio uma dessas biografias laudatórias, costumo a me perguntar, como fazia o bom e velho Nelson Rodrigues: “aonde está o excremento?”.
Por isso, estou pouco me lixando para as misérias morais de Marx. Isso só o torna mais humano e para mim, mais real.
Não adianta ranger os dentes ou babar, não é suficiente gritar histérico sobre os ossos dos cadáveres de Stálin ou se ajoelhar diante do altar de um marxismo idealizado, posto inofensivamente em um andor de cristal.
Se alguém quiser entender a natureza da modernidade e de suas revoluções, tem de enfrentar Marx. Para o deleite ou o ódio, “o mouro” ainda é incontornável.



sexta-feira, 19 de maio de 2017

O profeta Mark


Samuel Langhorne Clemens (FloridaMissouri30 de novembro de 1835 — ReddingConnecticut21 de abril de 1910), mais conhecido pelo pseudônimo Mark Twain, foi um escritor e humorista norte-americano

Mark Twain havia anunciado:
– Eu cheguei com o cometa Halley, em 1835. O cometa voltará em 1910, e eu espero ir embora com ele. Sem dúvida, o Todo-Poderoso disse: “Eis aqui duas anormalidades
inexplicáveis. Chegaram juntas, juntas haverão de ir”.
O cometa visitou a Terra num desses dias de 1910. Twain, impaciente, tinha ido embora um
mês antes.


'Guerra' de lances leva pintura de Basquiat ao recorde de US $ 110,5 milhões em leilão

A peça foi comprada pelo colecionador japonês e empresário de comércio eletrônico Yusaku Maezawa, após uma “guerra” de lances que durou 10 minutos.

A obra do americano Jean-Michel Basquiat atingiu valor recorde (Foto: Sotheby's / via AP Photo)A obra do americano Jean-Michel Basquiat atingiu valor recorde (Foto: Sotheby's / via AP Photo)
A obra do americano Jean-Michel Basquiat atingiu valor recorde (Foto: Sotheby's / via AP Photo)
Uma obra de 1982 do americano Jean-Michel Basquiat foi leiloada por US$ 110,5 milhões, o dobro do valor mais alto já obtido pelo artista, no leilão de arte contemporânea da Sotheby's na noite desta quinta-feira (18).
A obra retrata uma face na forma de um crânio.
“Hoje à noite, Jean-Michel Basquiat entrou no panteão de artistas cujas obras comandaram preços acima de US$ 100 milhões, incluindo Picasso, Giacometti, Bacon e Warhol”, disse Gregoire Billault, chefe do Departamento de Arte Contemporânea da Sotheby's em Nova York.
O empresário japonês Yusaku Maezawa desembolsou US$ 110,5 milhões (Foto: Yusaku Maezawa / via Sotheby's / via AP Photo)O empresário japonês Yusaku Maezawa desembolsou US$ 110,5 milhões (Foto: Yusaku Maezawa / via Sotheby's / via AP Photo)
O empresário japonês Yusaku Maezawa desembolsou US$ 110,5 milhões (Foto: Yusaku Maezawa / via Sotheby's / via AP Photo)
A peça foi comprada pelo colecionador japonês e empresário de comércio eletrônico Yusaku Maezawa, após uma “guerra” de lances que durou 10 minutos.
Maezawa disse que planeja exibir a peça em seu museu em Chiba, no Japão, depois de emprestá-la a instituições e exposições de todo o mundo.


Basquiat morreu de overdose de drogas em 1988, aos 27 anos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Viviane Araujo pelada no making of sexy

A gostosa Viviane araujo ficou totalmente pelada para o making of da revista sexy mostrando a sua bucetinha lisinha e carnuda e os peitos fartos da devassa viviane araujo

segunda-feira, 8 de maio de 2017

08 DE MAIO DE 2017
Não admira que pelegos estejam nervosos com a reforma trabalhista, com greves e passeatas, e até se aliando a políticos que atacavam, como Renan Calheiros. É que perderão o negócio que rende quase R$ 4 bilhões a 16,4 mil entidades sindicais, a maioria de pouca expressão e muita gula. A reforma extingue a contribuição obrigatória, descontada dos trabalhadores, que em 2016 rendeu R$59,8 milhões somente à CUT, braço sindical do PT. A Força Sindical embolsou R$46,5 milhões.
  •  
  •  
  •  
Sindicalistas gastam como querem recursos subtraídos dos salários, pagando cachê a “manifestantes” ou metendo a grana no bolso.
  •  
  •  
  •  
O então presidente Lula vetou lei aprovada no Congresso que submetia entidades sindicais à fiscalização e prestação de contas, é claro.
  •  
  •  
  •  
Até centrais sindicais desconhecidas ganham muito dinheiro. Uma “Nova Central” leva R$23,3 milhões, a “CTTB”, R$15,3 milhões etc.
  •  
  •  
  •  
Sindicatos dos comerciários de São Paulo faturaram R$31,5 milhões em 2016, e o do Rio de Janeiro R$10,5 milhões.
  •  
  •  
  •  
PUBLICIDADE
O Brasil deve homenagens e até pedido de desculpas ao ex-senador Pedro Simon (PMDB-RS), que lutou durante anos para criar a CPI das Empreiteiras (ou dos Corruptores), convencido de que era a chave para desmantelar o esquema de corrupção no País. O bravo senador estava certo, como mostram as investigações da Lava Jato, mas a CPI sempre esbarrou no desinteresse dos governos Itamar Franco, FHC e Lula.
  •  
  •  
  •  
A ira santa de Pedro Simon propondo a CPI das Empreiteiras começou em 1993, vinte anos antes da Operação Lava Jato.
  •  
  •  
  •  
Para Pedro Simon, após a CPI dos Anões (ou “CPI dos Corruptos”), era o momento certo para investigar os corruptores. Jamais conseguiu.
  •  
  •  
  •  
A CCJ do Senado, em 1995 presidida por Bernardo Cabral (AM), negou por 15x7 votos o desarquivamento da CPI dos Corruptores, de Simon.
  •  
  •  
  •  
O governo planeja conversar com deputados resistentes à reforma da previdência para convencê-los de que o projeto aprovado na comissão especial é o possível, no momento. Em resumo; melhor este que nada.
  •  
  •  
  •  
O relatório final da CPI da Funai/Incra, de Nilson Leitão, exige que seja investigado o assassinato a pauladas do produtor Gilmar Luiz Borges, em 2016, após denunciar na CPI a invasão de suas terras pelo MST. Na ocasião, esta coluna denunciou o crime, que continua impune.
  •  
  •  
  •  
A lei brasileira de migração foi elogiada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), fazendo o Brasil assumir um maior protagonismo na esfera humanitária.
  •  
  •  
  •  
A ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral, opinou pelo fim da censura ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho, que estava proibido de falar sobre a Operação Chequinho. Os demais ministros do TSE poderão se posicionar sobre o caso nesta terça-feira (9).
  •  
  •  
  •  
O fim do imposto sindical, incluído na reforma trabalhista enviada ao Senado, foi comemorado pelo senador Sérgio Petecão (PSD-AC). Para ele, a farra foi grande com os R$4 bilhões arrecadados de 2008 a 2015.
  •  
  •  
  •  
A tática de escrever rascunho de e-mail, sem enviá-lo, enquanto o destinatário o acessa e deleta, foi descrita no filme “O Traidor”, de 2008, sobre um agente do FBI que investiga uma grande conspiração internacional. Dilma e/ou Mônica Moura devem ter visto o filme.
  •  
  •  
  •  
Em 2007, Duque esteve enrolado na contratação do consórcio Fells-Odebrecht para construir a plataforma P-56. A licitação foi cancelada por “preço excessivo” e o consórcio que construiu a P-51, reutilizado.
  •  
  •  
  •  
Somente seis meses após o Supremo Tribunal Federal determinar ao Congresso que aprove lei para compensar estados prejudicados pela Lei Kandir, a Câmara instalou Comissão para tratar do tema. O prazo do STF é de 12 meses, e a matéria ainda terá de ir ao Senado.
  •  
  •  
  •  
Os sindicalistas protestam contra a reforma da previdência ou contra a reforma trabalhista, que corta os R$4 bilhões que rateiam por ano?
  •  
  •  
  •