domingo, 20 de agosto de 2017

Apontadores de jogo do bicho agora aceitam apostas de futebol

Prática ilegal que chegou ao Rio já acontecia em cidades do Nordeste

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Apostas também acontecem dentro do Morro Santo Amaro, no Catete. 21/06/2016 - Fabiano Rocha / Agência O Globo




RIO - Apontadores do jogo do bicho estão diversificando o tipo de apostas que recebem. Agora, é possível, nas ruas do Rio e também dentro de comunidades como o Parque Arará, em Benfica, e o Morro Santo Amaro, no Catete, em vez de escolher um animal, tentar adivinhar o resultado de jogos de futebol. A prática, que chegou há um mês ao Rio, já é comum em cidades do Nordeste.

Este tipo de atividade ilegal entra na conta das apostas realizadas em sites sem regulamentação nacional e colaboram para o governo federal deixar de arrecadar mais de R$ 30 bilhões em impostos por ano. O total é uma estimativa feita pelo advogado e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Pedro Trengrouse, especialista no assunto.
Ele diz que a falta de regulamentação do jogo no Brasil desencadeia uma leva de sites ilegais e apostas realizadas por apontadores do bicho, deixando um lastro de prejuízo para a União e para os apostadores, que nem sempre têm a garantia que receberão o prêmio.
Na 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, que começou em julho, por exemplo, um site de apostas quebrou. Não teve dinheiro para honrar as apostas, e os prejudicados nem puderam reclamar, porque a atividade é irregular.
Trengrouse explica que o problema poderá ser repetir no Rio, e em todo o Brasil.
— O jogo do bicho no Rio descobriu este filão de apostas esportivas há um mês. O mercado irregular on-line aumentou tanto que chegou às ruas —disse Trengrouse, que acha necessária a regulamentação do setor.
Existem dois projetos, um na Câmara, criado pela comissão especial do marco regulatório do jogo no Brasil, e outro no Senado, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), para serem votados. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já defendeu a liberação dos jogos de azar. O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou a listar o projeto entre as prioridades da Casa, mas, diante da crise política, a matéria ficou de lado.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/apontadores-de-jogo-do-bicho-agora-aceitam-apostas-de-futebol-21723952#ixzz4qHHfRI4h 
stest 
Quarta-Feira - 13/04/2016 - 10:10h
Mossoró

Vereadores evitam sessão após dia tumultuado de ontem

A Câmara Municipal de Mossoró não teve sessão ordinária hoje.
Não é para se estranhar.
Depois da sessão realizada ontem, quando houve promessa do vereador Tomaz Neto (PDT) – veja AQUI – apresentar novo pedido para instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), o corre-corre foi quase que generalizado.
Hoje, o dia é para se apagar as labaredas e evitarem maior “incêndio”.
Categoria(s): Política
Terça-Feira - 12/04/2016 - 23:56h

Pensando bem…

O choro existe para o homem não explodir.
Artur da Távola
Categoria(s): Pensando bem...
Terça-Feira - 12/04/2016 - 21:10h
Mossoró

Chikukunya mata internos do Amantino Câmara

O Abrigo Amantino Câmara, entidade filantrópica que dá apoio a idosos em Mossoró, já contabilizou três baixas recentes entre seus internos.
Perdas para a Chikukunya.
Apesar de todo cuidado que recebem de pessoas dedicadas e doadores, foram suprimidas por essa moléstia.
P.S – Seja um doador do Amantino Câmara.
Mantimentos, material de higiene pessoal etc. fazem muita diferença.
Categoria(s): Gerais
Terça-Feira - 12/04/2016 - 20:18h
Fechado

Beto Rosado anuncia que seu partido é pró-impeachment

Conversei há poucos minutos com o deputado federal Beto Rosado (PP). Reproduziu síntese de reunião concluída há menos de uma hora, no plenário 14 da Câmara Federal.
Beto: partido sm ministério (Foto: Câmara Federal)
A bancada do PP na Casa decidiu que “vai fechar questão”. Beto adiantou que os 47 parlamentares da sigla devem votar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PP).
São 51 ao todo, mas 47 estão no exercício do mandato.
Ministério
A reunião de hoje começou às 17h. Apesar das divergências, Beto adiantou que acredita que a bancada cumprirá o acordado. “O lado que perdesse seguiria a maioria é a maioria ficou favorável não impeachment”, reiterou.
Decisão complementar foi a de que o partido recomendará a seu único ministro, Gilberto Ochio da Integração, “que peça exoneração”.
O senador Ciro Nogueira (PI) preside o PP no país. Ele recebeu oficialmente o resultado da votação interna.
Arnaldo Ribeiro, da bancada paraibana, é o líder na Câmara Federal.
“Vou seguir o que ficou aprovado hoje”, assinalou Beto.
Categoria(s): Política
  • Repet
Terça-Feira - 12/04/2016 - 20:00h
Mossoró

Prefeitura segue com somas milionárias em propaganda

O vereador Lahynho Rosado (PSB) usou a tribuna da Câmara Municipal de Mossoró na manhã desta terça-feira, 12, para mais uma vez, denunciar os gastos excessivos da Prefeitura de Mossoró com publicidade e propaganda.
Segundo informações colhidas no Jornal Oficial do Município (JOM), entre dezembro de 2013, quando o prefeito Francisco José Júnior (PSD) assumiu, e março de 2016, quando houve o último pagamento para agências de publicidade, este ano, foram gastos R$ 13.619.438,78 com a Secretaria de Comunicação.
“Diga-se, gastos em alguns poucos veículos, pois há outros que, além de boicotados, recebem calotes milionários do gestor da Prefeitura de Mossoró”, alerta o líder da Oposição.
Lahyrinho disseca números (Foto: Valmir Alves)
Foram R$ 471.435,78 em dezembro de 2013; R$ 6.773.866,70 em 2014; R$ 5.321.073,04 em 2015; R$ 1.053.064,79 até março de 2016.
Prioridades
O prefeito gastou com a Secretaria de Comunicação, em média, R$ 486.408 mil por mês desde que assumiu.
Uma média de R$ 16.214 por dia.
A cada hora, em média e números redondos, o prefeito gastou R$ 676,00.
“Eu sonho com o dia em que a Prefeitura dará prioridade às ações que beneficiam à população, especialmente as que mais precisam, ao invés de gastar com propaganda pessoal”, sugere o vereador.
Categoria(s): Administração Pública
Terça-Feira - 12/04/2016 - 19:36h
Mossoró

Vereador vai propor CEI para gestões da Câmara

“Vou apresentar pedido de instalação de um CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar gestões da Câmara Municipal de Mossoró, da atual a anteriores, nas últimas legislaturas”.
A declaração acima foi dada ao Blog pelo vereador oposicionista Tomaz Neto (PDT).
“Num momento em que o Brasil é passado a limpo pela Lava Jato, porque não fazemos o mesmo, a começar de nossa Casa?”, instiga Tomaz.
Ele diz que “não há o que temer” e espera ter apoio para essa CEI histórica, a primeira a ser aprovada pela Câmara em toda sua história.
Categoria(s): Política
  • Câmara - TV Câmera correto - 07-09-15
Terça-Feira - 12/04/2016 - 19:06h
Câmara de Mossoró

Maioria da própria base de Jório Nogueira quer sua saída

O requerimento aprovado hoje na Câmara Municipal de Mossoró (veja postagem abaixo), que pode afastar o presidente desse poder, Jório Nogueira (PSD), uniu oposição e governismo na Casa. Na verdade, maioria dos votos veio do governismo, do qual ele faz parte.
Do Palácio da Resistência, sede da Prefeitura, Jório não teve apoio até aqui.
Votaram pela admissibilidade do requerimento, os seguintes vereadores:
Oposição
- Tomaz Neto (PDT)
- Genivan Vale (PDT)
- Lahyrinho Rosado (PSB);
Governo
- Claudionor dos Santos (PEN)
- Manoel Bezerra (PRTB)
- Ricardo de Dodoca (PROS)
- Genilson Alves (PMN)
- Lucélio Guilherme (PTB)
- Cícera Nogueira (PSD)
- Flávio Tácito (PPL)
Os governistas Alex Moacir (PMDB), Soldado Jadson (Solidariedade) e Heró Silva (PTC) optaram pela abstenção. O oposicionista Francisco Carlos (PP), também.
Jório não pode votar, da mesma forma que o proponente da matéria, Tassyo Mardonny (PSDB).
Categoria(s): Política
Terça-Feira - 12/04/2016 - 18:30h
Câmara de Mossoró

Requerimento pode afastar Jório de presidência

Com dez votos a favor e quatro abstenções, a Câmara Municipal de Mossoró aprovou hoje requerimento do vereador Tassyo Mardonny (PSDB), que poderá resultar no afastamento do vereador-presidente Jório Nogueira (PSD) do cargo.
Jório: sitiado (Foto: reprodução)
Na justificativa, é arguido que Nogueira teria ferido normas internas da Casa, sonegando informações relativas à prestação de contas deste poder. Além disso, está retendo recursos da chamada Verba Indenizatória, atendendo par CEF do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
A votação de hoje não ejeta Jório do cargo de imediato. Abre caminho para que isso ocorra adiante. Ou não.
Uma comissão formado pelos governistas Manoel Bezerra (PRTB), Heró Silva (PTC) e Tomaz Neto (PDT) da oposição vai apreciar a base de sustentação do requerimento do neooposicionista Tassyo Mardonny. Em 90 dias, no máximo, seu parecer deve ser votado pelo plenário.
Se ocorrer a deposição, assumirá o vice Alex do Frango (PMD). Confirmando-se, será um caso absolutamente inédito na Casa.
Categoria(s): Política
  • Câmara - TV Câmera correto - 07-09-15
Terça-Feira - 12/04/2016 - 11:13h
Gim Argello

Ex-senador é preso em nova fase da Lava Jato

“O sistema político-partidário no país está apodrecido pelo abuso do poder econômico”, afirmou o procurador Carlos Fernando de Lima nesta terça-feira (12), ao detalhar a 28ª fase da Operação Lava Jato. O procurador afirmou ainda que “a corrupção no Brasil não é partidária”.
Nesta etapa, foi preso o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), suspeito de cobrar propina para evitar convocação de empresários a comissões parlamentares de inquérito em 2014 e 2015.
Campanhas políticas
Segundo Lima, “o uso do poder é que gera corrupção. O exercício do poder, seja por qual partido for, tem gerado corrupção. E essa corrupção tem como finalidade suprir o caixa de campanhas políticas. Tanto é verdade que esses valores, boa parte, foram encaminhados para partidos da base de apoio desse senador, Gim Argello, entre eles, partidos inclusive da oposição.”
Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS – as duas empreiteiras são investigadas na Lava Jato.
Veja matéria completa AQUI.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A aproximadamente um ano do período da propaganda eleitoral no rádio e na TV da próxima eleição presidencial, caso agosto seja mantido como o mês do início do horário ‘gratuito’, vários nomes da política brasileira começam a se apresentar como postulantes da disputa de 2018. De acordo com cientistas políticos ouvidos pelo Estado, ao menos oito candidatos gravitam com mais energia em torno desse calendário: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSC-RJ), João Doria (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Joaquim Barbosa (sem partido).
Os pesquisadores fazem comparações entre os contextos das disputas de 1989 e de 2018. Assim como hoje, aquele ano esteve marcado por forte crise econômica e política. Enquanto lá o eleitorado retornava às urnas depois do golpe militar em 1964, há pouco viu uma presidente ser afastada da Presidência. “Nem com (Fernando) Collor (presidente eleito em 1989), você teve um clima de partidos tão destroçados e uma política de tão pouca credibilidade como se tem hoje”, compara Carlos Melo, professor do Insper. A professora de Ciência Política da UFMG Mara Telles ressalta o sentimento impregnado nos dois momentos. “Em 1989, era a esperança, 2018 é a eleição do desalento”, diz.
Um dos aspectos mais relevante, no entanto, da disputa de 2018 é o que chamam “fator Lula”. O equilíbrio das forças seria alterado com a participação do ex-presidente nas eleições de 2018.
Veja abaixo quais são os oito nomes levantados pela reportagem com os acadêmicos da ciência política para a disputa do ano que vem.
LULA
O ex-presidente lidera em intenções de voto nos levantamentos do Ibope. Lula, porém, foi condenado, em julho, pelo juiz Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Caso a segunda instância confirme a sentença, Lula estará inelegível pela Lei da Ficha Limpa - que impede que condenados em segunda instância concorram. Tudo depende de quando e se o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) confirmar a decisão de Moro.
FERNANDO HADDAD
Apesar de lideranças petistas, inclusive o próprio Fernando Haddad, repetirem que Lula é “plano A, B e C”, o ex-prefeito de São Paulo é visto como nome viável caso Lula fique de fora da disputa. Haddad pode tanto representar um novo discurso de renovação, que seria bem-vindo ao partido, de acordo com Humberto Dantas, quanto capitalizar os votos de Lula, na avaliação de Carlos Melo. “A condenação (de Lula) pode dar o tom de vitimização necessário para reforçar o apoio dos militantes”, acrescenta o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rodrigo Stumpf.
A professora Mara Telles, no entanto, relativiza. “Dilma não foi um bom teste e, com isso, ele (Lula) reduziu a possibilidade de transferir seus votos como antes. Acho que ele não consegue dialogar com eleitorado lulista”, calcula.
CIRO GOMES
Ex-ministro de Lula, Ciro já disse publicamente que uma chapa “dream team” seria composta por ele e Haddad como vice. A possibilidade é remota, avaliam os professores, porque PT não deve abrir mão de candidato próprio, e Ciro tampouco perderá a oportunidade de concorrer. Para Rodrigo Stumpf, Ciro leva alguma vantagem porque “já se candidatou antes, então demonstra uma certa viabilidade, se não de vitória, mas de estruturação de uma campanha”.
MARINA SILVA
Ex-ministra com recall de 20 milhões de votos da última eleição presidencial como candidata do PSB, sua maior fragilidade, apontam, é a ausência dela no debate político. “Quando o País se dividiu entre petistas e anti-petistas, ela não conduziu seu eleitor. Foi atropelada pela polarização”, diz o professor Carlos Melo. Como o “Brasil é o País das vacas que tossem”, segundo ele, ainda é possível que ela reverta a imagem e consiga se colocar mais como uma protagonista política. Mas, por indícios, ele conclui que é pouco provável.
JOAQUIM BARBOSA
Um nome que também aparece nas sondagens e no noticiário, por vezes associado à Rede, é o do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Inicialmente, Barbosa admitiu ter sido sondado por siglas, como a Rede de Marina, e o PSB, e que estava analisando uma possível candidatura. Depois, em jantar promovido por artistas que torciam por sua candidatura, negou essa possibilidade.
TUCANOS DE SÃO PAULO
O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), preenche o campo do candidato antilulista, ainda que reitere interesse em terminar seu mandato na Prefeitura. Para a professora Mara Telles, o PSDB precisa que Lula seja candidato. “É um discurso pragmático, o partido precisa do antilulismo para aglutinar o eleitorado com o voto útil contra Lula”, diz. Se o ex-presidente for impedido, o discurso de Doria morre. “Ele pode reinventar o discurso, voltar a focar no gestor, no trabalhador, mas o discurso anti-Lula é melhor para ele”, afirma Humberto Dantas. Doria, no entanto, tem reiterado o quanto é leal ao padrinho político, o governador Geraldo Alckmin, que já manifestou desejo de voltar a disputar a Presidência.
“Se Lula estiver na disputa, Alckmin vai entrar atacando o petismo. Mas não sei se funcionaria. Ele foi ‘jantado’ em 2006 (quando Alckmin perdeu votos que já tinha para Lula no segundo turno)”, diz Humberto Dantas.
Já um dos principais adversários de Doria é o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ. “Na França, o Nicolas Sarkozy (ex-presidente) teve que começar a dialogar com a extrema direita, para conseguir votos que estavam indo para Jean Marie Le Pen (candidato da Front National). Acho que isso vai acontecer com João Doria aqui também”, aponta Mara Telles.
BOLSONARO
Bolsonaro, apesar de estar no Congresso há 26 anos, se desponta como um crítico do sistema político. O paulista de Campinas se coloca como pré-candidato e tem surpreendido os adversários com seu bom desempenho nas últimas pesquisas. Na avaliação de Mara Telles, há dois principais motivos para ascensão de Bolsonaro. “A emergência de Bolsonaro é um fruto da desconfiança na política, principalmente pelo modo como foi conduzida a Operação Lava Jato, criminalizando a classe política, indistintamente”, diz a professora. O segundo motivo, defende, seria o crescimento do discurso de intolerância no contexto internacional, com Donald Trump na presidência dos Estados Unidos e Le Pen chegando no segundo turno da corrida presidencial francesa

domingo, 13 de agosto de 2017


Apatia

Se continuarmos apáticos, o mecanismo vai ganhar essa guerra
José Padilha, O Globo
Assim que o juiz apitou o final do jogo entre Vasco e Flamengo no Estádio de São Januário, jogo que o time rubro-negro venceu por um a zero, parte da torcida vascaína, revoltada com a derrota de seu time, invadiu o gramado, lançou bombas caseiras no campo e depredou as arquibancadas.
Os times ficaram cercados pelos torcedores no meio do gramado. Apolícia controlou a situação dentro de campo, mas a briga se estendeu para fora do estádio, onde um torcedor morreu alvejado no peito por um policial militar.
O objeto da revolta vascaína não era a torcida do Flamengo, mas sim Eurico Miranda e a diretoria do próprio time.
São muitas as semelhanças entre a torcida do Vasco e a torcida dos outros grandes times brasileiros. Todas elas são compostas, em sua maioria, por pessoas que vivem em ambientes urbanos violentos, são maltratadas nas filas do INSS, forçadas a matricular seus filhos em escolas públicas sucateadas, pagam impostos sem contrapartida e vivem em um país administrado por uma classe política corrupta.
Não é de se espantar, portanto, que parte destas torcidas tenha propensão à violência quando os seus desejos (no caso, a vitória) não se materializam. Afinal, pancadarias assim ocorrem até nos estádios da Europa, onde as pessoas têm menos motivos para se revoltar.
O que espanta, isto sim, é a tolerância que o brasileiro tem, torcidas organizadas inclusive, para com a classe política, que usurpa de todos muito mais do que três pontos de uma vitória no futebol.
É claro que não estou sugerindo que manifestemos nossa frustração de forma violenta. Mas, tolerância sem limites também não ajuda. Como disse o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, “o homem razoável se adapta ao mundo, o homem não razoável tenta adaptar o mundo a si mesmo. Todo o progresso depende do homem não razoável”.
O brasileiro está sendo razoável demais.
Entre a violência das organizadas ea tolerância infinita com a corrupção, existe espaço para manifestações coletivas pacíficas.
Se estivéssemos acampados em frente ao TSE, Gilmar Mendes não teria rasgado a Constituição. Se tivéssemos gritado “Fora, Temer” quando a gravação de Joesley apareceu, um sujeito desprovido de ética não seria presidente da República.
Tanto as manifestações populares quanto a violência das torcidas não têm explicações simples. Mas há consenso antropológico em torno da ideia de que ambas estão ligadas à canalização de um instinto que herdamos do processo evolutivo: o instinto tribal. Temos uma propensão inata para defender a nossa tribo, seja ela rubro-negra, cruzmaltina ou verde-amarela.
Há ainda consenso de que este instinto se manifesta nas sociedades industriais por meio de afinidades simbólicas e conceituais. Cooperamos quando temos as mesmas crenças e valores, quando defendemos as mesmas cores e reverenciamos os mesmos líderes, para o bem ou para o mal.
Não é à toa que manifestações populares são sempre perigosas e muitas vezes descambam para a violência.
O instinto que motiva as organizadas a agirem de forma violenta é o mesmo que motiva o cidadão a sair às ruas e protestar coletivamente contra governos espúrios.
A questão não é a existência deste instinto, mas, sim, quando e como ele se manifesta.
Por que será que no Brasil de hoje temos brigas de torcida e não passeatas de caráter cívico? Será que não temos mais afinidades simbólicas e conceituais capazes de nos unir contra aqueles que nos exploraram?
De fato, perdemos muito em nossa história recente. Não temos mais lideranças políticas capazes de aglutinar pessoas. Os políticos que poderiam liderar o país, como fez Lula durante o “Fora, Collor”, foram reconhecidos pelo que são: chefes de quadrilha.
A classe política caiu em descrédito.
Além disso, a maioria dos nossos formadores de opinião, tanto na mídia quanto nas universidades, atribuiu à Lava-Jato um viés ideológico que ela não tinha, alegando que a corrupção da esquerda era invenção da direita.
Agora que a Lava-Jato chegou a Temer e Aécio, estão quietos porque apoiar a operação seria o mesmo que reconhecer o erro crasso que cometeram.
E, finalmente, há descrença ideológica generalizada. A esquerda brasileira sucumbiu porque se abraçou a Lula, e a direita nunca foi flor que se cheire.
Neste contexto, é difícil que as manifestações populares aconteçam. Mas não é impossível. São inúmeros os exemplos de manifestações que surgiram espontaneamente a partir da luta por valores éticos, econômicos e morais comuns a um dado grupo social.
Tenho a impressão de que, no longo prazo, o destino dos brasileiros vai depender da sua capacidade de união em tornos de valores deste tipo.
Michel Temer, Aécio Neves, Gilmar Mendes e Luiz Inácio da Silva são tão repugnantes quanto Eurico Miranda.
Espero que os brasileiros se deem conta disso e saiam às ruas o quanto antes. De forma pacífica, claro.
Se continuarmos apáticos, o mecanismo vai ganhar essa guerra.
Desânimo (Foto: Pixabay)(Foto: Pixabay)
José Padilha é cineasta

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