sábado, 19 de maio de 2018

Da morte do estudante Edson Luís ao famigerado AI5: Sangra-se as liberdades.


Luciano Capistrano
Professor: Escola Estadual Myriam Coeli
Historiador: Semurb/ Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte

No dia 28 de março de 1968, um jovem estudante secundarista, Edson Luís de Lima Souto, foi morto em um conflito entre estudantes e a Polícia Militar. O cenário de “guerra” aconteceu no restaurante Calabouço, o uso de armas de fogo, por parte das forças de segurança pública, causou a morte de um jovem, em meio ao agitado ano de 1968. Nesta época, os “ventos” vindos de diversas partes da Europa, principalmente da França, incentiva, em todo Brasil uma reação de parte da sociedade contraria ao rompimento do processo democrático ocorrido com o golpe militar civil de 1964.
 O ano de 1968 é um capítulo importante na mobilização contra o golpe, as praças são ocupadas, o grito por democracia ecoa em diversos lugares do país. A morte de Edson Luís, causa uma comoção em setores, antes silenciados, a classe média vai as ruas protestar contra as ações autoritárias implantadas com os generais presidentes. Conforme o Historiador Carlos Fico:
O impacto na opinião pública foi muito grande. A censura rigorosa da imprensa ainda não havia sido implantada, de modo que os jornais puderam noticiar o ocorrido, inclusive com fotos dramáticas do cadáver do jovem morto. […] Uma faixa exibia frase contundente para a classe média: “mataram um estudante: podia ser seu filho.” […] A morte de Edson Luís gerou protesto pelo Brasil afora […] O governo decidiu reprimi-las. No dia 4 de abril, a polícia montada atacou as pessoas que saíam da missa de sétimo dia de Edson Luís na igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. (FICO, Carlos. São Paulo: Ed. Contexto, p. 63-64, 2015).

     A livre manifestação é reprimida, em uma demonstração de força autoritária, os militares impunham a “paz” das baionetas, muitos foram os casos de ataques, como o ocorrido durante a missa de sétimo dia, quando o as escadarias da igreja de Nossa Senhora da Candelária, na cidade maravilhosa, testemunhou a truculência, com salientou Carlos Fico.

A palavra
Silenciada
Não é Palavra
É calabouço.
(Luciano Capistrano)

A sociedade brasileira viveu dias de idas e vindas, nas veredas das liberdades, os movimentos sociais, espalharam por todas as regiões ações de mobilização contras as atitudes repressivas, abria-se uma “fresta” nas portas do arbítrio. O mês de junho é marcado por um dos mais fortes atos em defesa das garantias individuais, a “Marchas dos Cem Mil”. Sobre este momento, o Historiador Jacob Gorender, em Combate nas trevas, faz a seguinte observação:
O dia 26 de junho marcou o momento de auge com a Passeata dos Cem Mil, que se concentrou na Cinelândia carioca e percorreu a avenida Rio Branco, até a Praça Quinze. […] Presentes vedetes da música popular, da televisão e do teatro, escritores, jornalistas e políticos, professores e líderes sindicais. Tal a repercussão que o Presidente Costa e Silva se dispôs a receber em Brasília a comissão representativa dos organizadores da passeata. Nada resultou do diálogo, mas esta foi a única e última vez que um general-presidente concedeu a uma comissão popular. (GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. São Paulo: Ed. Ática,p. 148, 1997)

O ano de 1968, com  março marcado com o sangue do jovem Edson Luís, e, junho com a grande marcha dos Cem Mil, não terminou bem para o restabelecimento da democracia. Em 13 de dezembro, o governo do general-presidente, decreta o Ato Institucional n. 5. Este famigerado AI-5, dotou o general-presidente de poderes ditatoriais. Fecha-se o Congresso Nacional, faz escuro a democracia.

1964… sangra-se liberdades!

Memórias das noites sombrias
Sob o manto do medo
Tortura-se
Prende-se
Exila-se
Silencia-se
Desaparecidos políticos.

Memórias das noites sombrias
Sob o manto do medo
Censura-se
O pensar
Mordaça-se
A fala
Democracia interrompida
1964… sangra-se liberdade!
(Luciano Capistrano)

Nestes tempos de democracia em risco, façamos o bom diálogo, lembrar para não repetir. Finalizo, com essa provocação: Da morte do estudante Edson Luís ao famigerado AI5: Sangra-se as liberdades.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Criança morre com suspeita de raiva humana; chega a seis o número de mortes investigadas no Pará

Criança morreu na tarde de terça-feira (15) no Hospital Regional de Breves. São 12 casos notificados, com seis mortes, sendo um confirmado pela Secretaria de Saúde do Pará.

Por G1 PA, Belém
 
Quatro crianças com suspeita de raiva humana seguem internadas na Santa Casa de Misericórdia, em Belém. (Foto: Cristino Martins/Agência Pará)Quatro crianças com suspeita de raiva humana seguem internadas na Santa Casa de Misericórdia, em Belém. (Foto: Cristino Martins/Agência Pará)
Quatro crianças com suspeita de raiva humana seguem internadas na Santa Casa de Misericórdia, em Belém. (Foto: Cristino Martins/Agência Pará)
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) confirmou mais uma morte de paciente com suspeita de raiva humana, no Arquipélago do Marajó. Até terça-feira (15) foram notificados 12 casos, com seis mortes, sendo um confirmado para a doença. Quatro crianças seguem internadas na Santa Casa de Misericórdia, em Belém; além de uma criança e um adulto no Hospital Regional de Breves. A maioria em estado considerado grave.
De acordo com a Sespa, coletas sorológicas foram realizadas em todos os pacientes que foram internados, inclusive os que morreram. As coletas foram encaminhadas para o Instituto Pasteur, em São Paulo, referência no diagnóstico de raiva.

Prevenção

Equipes da Vigilância Epidemiológica e Vigilância em Saúde estão no local para investigar as suspeitas, em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e Ministério da Saúde.
Sespa enviou 1.000 doses de vacinas antirrábicas e 300 frascos de soros antirrábico para região do Marajó. (Foto: Reprodução/TVCA)Sespa enviou 1.000 doses de vacinas antirrábicas e 300 frascos de soros antirrábico para região do Marajó. (Foto: Reprodução/TVCA)
Sespa enviou 1.000 doses de vacinas antirrábicas e 300 frascos de soros antirrábico para região do Marajó. (Foto: Reprodução/TVCA)
A Secretaria ainda reforça que intensificou as ações na região. Foram enviadas na segunda-feira (14) 1.000 doses de vacinas antirrábicas e 300 frascos de soros antirrábico. As ações se concentram na localidade de Rio Laguna, cerca de 70 km de Melgaço, onde residem aproximadamente 1.000 pessoas na comunidade. Até o momento já foram vacinadas 500 pessoas e entregues mosquiteiros para essa população.
Todos os pacientes apresentam quadro semelhante, com sinais e sintomas como febre, dispneia, cefaleia, dor abdominal e sinais neurológicos - paralisia flácida ascendente, convulsão, disfagia (dificuldade de deglutir), desorientação, hidrofobia e hiperacusia (sensibilidade a sons, principalmente agudos).

Histórico

Segundo a Sespa, casos confirmados de raiva humana no Pará não ocorrem desde 2005, quando 15 foram registrados no município de Augusto Corrêa e três em Viseu, nordeste paraense. Todos foram infectados por transmissão de morcego hematófago. No caso de Portel, no Marajó, os últimos casos de raiva humana ocorreram em 2004, atingindo 15 pessoas, também todas transmitidas por morcego.
Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva. Os últimos casos confirmados de raiva humana no Pará foram em 2005 e transmitidos pelo animal. (Foto: Adapec/Divulgação)Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva. Os últimos casos confirmados de raiva humana no Pará foram em 2005 e transmitidos pelo animal. (Foto: Adapec/Divulgação)
Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva. Os últimos casos confirmados de raiva humana no Pará foram em 2005 e transmitidos pelo animal. (Foto: Adapec/Divulgação)
    MAIS DO G1

    segunda-feira, 14 de maio de 2018

    Secretaria confirma primeira morte por raiva humana no Pará; vítima é uma criança

    Já são 11 casos suspeitos e 1 confirmado pela Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa). Vítimas são todas crianças entre 2 a 11 anos, à exceção de um adulto.

    Por G1 PA, Belém
     
    Crianças seguem internadas em estado grave na Santa Casa de Misericórdia do Pará.  (Foto: Reprodução/ TV Liberal)Crianças seguem internadas em estado grave na Santa Casa de Misericórdia do Pará.  (Foto: Reprodução/ TV Liberal)
    Crianças seguem internadas em estado grave na Santa Casa de Misericórdia do Pará. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)
    A Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) confirmou nesta segunda-feira (14) a contaminação por raiva no caso de uma das cinco crianças que morreram com suspeitas da doença após serem atacadas por morcegos em uma comunidade em Melgaço, no Marajó. A vítima é o primeiro caso comprovado há 13 anos no Pará. A criança morreu na sexta-feira (11) e teve contaminação atestada por exames feitas pelo Instituto Médico Legal (IML). Outros 11 casos suspeitos ainda estão sendo analisados.
    Três crianças foram transferidas de Breves, no Marajó, para Belém neste final de semana com suspeita de contaminação. Com elas já são quatro vítimas internadas no hospital Santa Casa de Misericórdia do Pará, na capital.
    Outras três vítimas continuam internadas no Hospital Regional de Breves, entre eles um adulto.
    As vítimas são do município de Melgaço, no Marajó. Quase todas são crianças de 2 a 11 anos, à exceção de um adulto. Todos apresentam estado de saúde considerado grave.
    Além dos exames realizados no Pará, amostras coletadas nas vítimas também foram enviadas para análise no Instituto Pasteur, em São Paulo.
    Os sintomas encontrados nas vítimas são:
    • Febre;
    • Dispneia;
    • Cefaleia;
    • Dor abdominal;
    • Sinais neurológicos como paralisia flácida ascendente, convulsão, dificuldade de engolir, desorientação, fobia à água e sensibilidade a sons, principalmente agudos.
    Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva. (Foto: Divulgação)Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva. (Foto: Divulgação)
    Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva. (Foto: Divulgação)